Me desculpe se não escancarei as portas para o desconhecido, é que senti a diferença de nossas estações, um frio entrou pelo vão da porta e me subiu a espinha, e eu não quis mudar agora a maré e o ritmo dos meus olhos. Não quis arriscar o meu barquinho em um mar que pareceu-me ser tanto sedutor quanto revolto. Estou dando valor aos peixes pequenos à altura de minhas mãos. E aqui onde fico não preciso do esforço de remos.

Desculpe se não pude nem explicar muito tudo isso, se não tive energia para dizer que não ia dar pé. Se só tive forças para sair de fininho pelas portas dos fundos, porque qualquer explicação seria uma irracionalidade pura, uma mentira e um desgaste de corações. E aqui mesmo cheia de desculpas não quero me desculpar por nada disso, porque fui honesta comigo e com o que realmente quero da vida.