Sempre via nos pães com mortadela um jantar de gala. 
Arrumava a mesa, distribuía os talheres, agendava a encomenda no dia que ela quisesse vir. Na verdade, esperava que fosse chegar um jantar mais fino, mas geralmente o que vinha era snack estilo lanche de avião depois que virou transporte popular. Dava pra salgar a boca os pouco nutritivos jantares. Mesmo rápidos, artificiais e de difícil digestão, esperava poder dividir a saciedade nos dias, esperava ter a mesa sempre cheia. Esperava poucas qualidades de seu prato de comida, mas que fossem constantes, que não a fizessem passar fome. Até que ela aprendeu a cozinhar a própria refeição, e nunca mais ligou no disk burger. Fazia da cozinha terapia e da mesa galeria de arte, apreciava suas auto-criações com a ponta dos dedos, se dava banquetes completos, com entrada, prato principal, sobremesa e cafezinho no fim. Se demorava à mesa. Amava se amar.
A finura de seus sentimentos e a delicadeza de seu estômago já não digeriam amores fast food.