Acredito nas levezas que movem mundos. Acredito que as verdadeiras revoluções são feitas por uma leveza. O deixar ser. Deixar ser não significa abandonar causas, ficar cego, deixando o mundo agir. Se não há consciência, o mundo não age. E consciência não é só razão, é coração. Deixar o coração ser o que é. E o coração quer despir-se. O coração quer ir morar onde pode ser livre. Quando o coração encontra seu caminho de volta, acontece uma mudança pela leveza. Instintivamente ele segue. 
Seguir essa espécie de paixão, uma paixão que é vontade, não vontade de ter, de querer, de precisar, como loucura e fome. Uma vontade de ficar deitado na rede sendo você mesmo. A paixão pela vida é a sensação confortável de vestir a própria pele. Parece uma nudez, esquecidos os medos, os anseios, as expectativas. Todos sentimos essa energia em alguns momentos, mas ela parece durar tão pouco, é sempre substituída. Tentando preservar a leveza a prendemos e assim a perdemos. Ou por medo dessa leveza desconhecida, bloqueamos a passagem. Não gostamos da insegurança de imaginar sermos levados para um lugar estrangeiro. 
Mas se ela flui, se deixamos a leveza agir quando a encontramos, ela transforma o mundo pelo amor.