Domadores

Tenho essa cara de carência. Essa intensidade aparente. Tenho esse entusiasmo pela vida, a mente cheia de poesia e um coração que sabe amar. Tenho compaixão pelos seres. Tenho vocação para me apaixonar. Tenho um corpo que se acende ás vezes. Tenho segredos que você não pode imaginar.

Tenho uma alma ampla e arredia. E tenho mais vontade de me preservar do que de me dar. Porque eu sei o que você não sabe.

Tenho facilidade de despertar vontades, porque guardo tudo isso no olhar.

Mas não me deixo acordar mais pela metade. E almas selvagens só comem na mão de domadores pacientes e trabalhadores. Só me doo pra quem me doma e me deixa. Num vai e vem sem fim – doma e deixa. Que o bom domador é também doma ‘amor’, sabe que selvageria só se amansa com carinho, cuidado e liberdade.

Eu fico nos rios que me represam, que organizam um pouco o que em mim é oceânico, mas também me deixam canais para fluir. Os muito corajoso, sem técnica, chegam e partem. Essa é a verdade.