Meu peito é uma festa privada

Meu peito é uma festa privada. É secreta para quem não sabe entrar. Sempre começa e acaba com um único convidado: eu mesma. E não preciso de outros olhos para dançar. A vida corre solta e eu fecho os olhos e as portas. Alguns chamam isso de solidão, loucura... Eu chamo de ‘o monólogo do amor’. Vou da comédia ao drama, tudo no mesmo peito, não preciso de espectador. Me divirto sozinha no meu descaminho entre erros e acertos, entre a alegria e a dor. 
A minha vida é uma festa privada que começa e acaba com um indivíduo só. Mas, nesse meio tempo, quem tiver coragem e quiser entrar, pode. A entrada é franca. Não precisa de senha, não precisa de palavras, não precisa de convites, não precisa nada. Há apenas que cuidar com o que carrega aí dentro, é que na entrada deste peito há um detector que barra os corações de metal e as almas sem amor.
Ah! e tire os sapatos, por favor!