Desejo ótimas bodas para todos nós!

Acho que datas comemorativas, votos de renovação para o ano novo, fazer balanço do ano que se finda, gastar mais o precioso tempo com familiares, cervejas, comilança, mudar o ritmo, quebrar a rotina, mesmo que às vezes forçadamente, acho que tudo isso é extremamente importante.

São lindos esses diazinhos em que as casas se enchem, as atenções se voltam mais para o ponto certo do peru, a temperatura da cerveja e o número de garrafas de espumante, as conversas tolas na cozinha que reconciliam os seres completamente diferentes da mesma família, o apaziguamento das diferenças que durante o ano pareceram irreconciliáveis e intoleráveis. Em que a grande mesa, generosa e reconciliadora, oferece o mesmo prato, a mesma taça e o mesmo assento para irmãos que muitas vezes passaram o ano sem se ver, falar, ouvir ou entender, mas que agora conseguem ao menos sorrir e esquecer pois, pelo menos nesses dias, eles concordam que o peru ficou perfeito, que a cerveja está tinindo, e que o abraço da meia noite é inevitável.

Acho que o mais bonito desses dias são essas quebras nas narrativas diárias que sem querer nos fazem lembrar de renovar os votos com a vida, essa vida que é o que sobra fora da tela do smartphone e das obrigações diárias, dos horários a cumprir, dos prazos, burocracias, dos dias cheios, milimetricamente divididos nas fatias dos minutos e recheados de obrigações funcionais.

Ter um ou dois dias no fim do ano que rompem a rotina, como disse antes, às vezes até sem querer, forçosamente, é importante para pararmos de olhar para o que enche a vida e olhar apenas para ela mesma! Assim, olhos nos olhos, ver o que resta, ver o que lembramos do que ela é ao retirarmos tudo que a preenche.

É como fazer bodas num casamento, parar um dia para celebrar uma união que já se desgastou, ficou enfadonha, tediosa, cotidiana, morna; então, o dia das bodas é um relembrar, é resgatar um sentimento que já não tem espaço nos dias, que foi encoberto por tudo aquilo que é importante, urgente, maior. O ritual das bodas nos chama para desobstruirmos o caminho para que o amor - aquele velhinho, amarelado, talvez branco e preto - volte a tona, respire,  saia da posição de figurante e volte a ser protagonista, pelo menos por uma noite.

Por inúmeros motivos sociais, culturais, político, biológicos, que eu não saberia aqui elucidar, esse amor de bodas, esse sentimento que existiu algum dia e que já protagonizou uma história e foi responsável por caminhos e vidas, esse sentimento não pode permanecer na frente do palco todos os dias.

É por isso que acredito nas datas comemorativas do fim do ano. A vida, assim mais crua, mais descomplicada e tolerante, é relembrada nesses dias. Já que por inúmeros motivos não podemos deixar a vida assim permanecer no centro do palco todos os dia, que ela seja relembrada no dia de natal. E já que o natal não pode ser todos os dias, que não se perca o dia 25 de dezembro!

O natal é a bodas da vida.

Acredito no natal, nos aniversários, nos ritos de passagem, no dia internacional da mulher e no dia das crianças!

Desejo ótimas bodas para todos nós!