10 Coisas que Aprendi Depois dos 30 - minha versão!

Li esses dias um artigo com o título mais ou menos assim ‘10 coisas que aprendi depois dos 30’. Na verdade, eu não li com muita atenção, passei o olho nas frases em negrito, em cada um dos itens, esses artigos parecem ser construídos para isso mesmo já que com tanta informação a gente acaba se tornando mais scanner de conteúdo do que leitores, mas isso é outro assunto, quem sabe um dia eu desenvolva em outro artigo. Mas além de eu só ter escaneado o artigo porque me adaptei a fazer esse tipo de leitura na internet, principalmente quando o título é uma lista das 10 coisas, nesse caso específico eu não quis ler com profundidade também porque o título me chamou a atenção e me fez ter vontade de fazer minha própria lista antes de ler uma já pronta. Ao final, a comparação pode ser interessante!

Então, este texto é sobre isso, um exercício um tanto sincero (e criativo) de tentar listar 10 coisas que aprendi (ou me tornei) depois dos 30.

Observação: a lista não segue grau de importância

Observação 2: com certeza vou deixar muitos aprendizados de lado, não fiquei um bom tempo com a ideia de escrever esse artigo, ela me surgiu na última madrugada, acordou comigo e ficou maturando na minha cabeça enquanto eu tomava café da manhã hoje. Então esse artigo também poderia ter o título: 10 coisas que aprendi depois dos 30 que surgiram na minha cabeça em uma manhã fria e de sol ralo numa quarta-feira primaveril com cara de inverno em Budapeste. Como ainda estou nos efeitos do jet lag, e as manhãs são meio sonâmbulas, pode ser que assim como me esqueci de colocar manteiga na lista de compras do supermercado nesta manhã, e acabei comendo apenas  pão com geleia no café, é provável que nessa lista aqui eu me esqueça de coisas tão essenciais quanto.

Mas, vamos lá! Antes que esse texto seja sobre tudo menos sobre as benditas 10 coisas depois dos 30. Segue a lista desamanteigada:

1. Filosofia da tartaruga

É sim a tão manjada fabula da tartaruga (e da lebre), e que tantas listas de maturidade devem elevar como o primeiro ponto, comigo não é diferente. Para mim realmente faz sentido hoje em dia, ‘ando devagar porque já tive pressa e levo esse sorriso porque já chorei demais...’ rs. De que adianta dizer que fui ao Japão se não apreciei a paisagem? Preferível ir até a cidadezinha vizinha comer uma coxinha, olhar o trem passar.

Mas fora da metáfora de viagem, eu diria, aos 30 parei de correr desesperadamente em todas as direções. Antes eu só corria, sem saber pra onde e por quê, e quando via que não ia chegar a lugar algum eu nem tomava fôlego, encontrava outro atalho e saia correndo em outra direção, não dava tempo nem de ler as placas, o importante não era saber pra onde eu estava indo e que estrada maluca era aquela, o importante era estar sempre correndo (e também sempre quase sem fôlego). Eu pensava que as pessoas me valorizariam mais se me vissem ofegante e em movimento constante, isso parecia significar que, em algum momento, eu chegaria a algum lugar. Pode até ser que eu chegasse mesmo, talvez em algum lugar que tivesse um dinheirinho bom no fim do mês, mas pode ser também que eu não chegasse a lugar algum, a vida era uma roleta e eu era uma jogadora ansiosa sobre o efeito de anfetamina. A bolinha não podia parar. A roda viva não a deixava. Até o dia que eu decidi parar de roda-la.

Então o que aprendi: não adianta correr se você não sabe quem você é.

Parei tudo! Fechei os olhos, coloquei um fone de ouvido com uma musiquinha que impedia os medos de reclamarem nos meus ouvidos, sentei-me um pouco no meio da encruzilhada, esqueci de olhar todos os atalhos e todas as estradas e tirei um tempo para descobrir meu mapa interno.

Com relação a esse aprendizado desenrolam-se essas subcategorias:

1.1. o silêncio feliz é melhor do que as falas atordoadas tentando me autoconvencer de conquistas

1.2. uma memória com doces lembranças é melhor do que uma lista cheia de realizações que me tornam alguém do lado de fora.

1.4. É melhor conhecer uma única cidade no interior da França do que todas as capitais europeias.

 2. O creme milagroso

Saltando do aprendizado existencial para o totalmente prático, depois dos 30 aprendi o segredinho que não aparece nas propagandas, mas que se você tiver uma irmã lindona e legal e perguntar o segredo da juventude dela, pode ser que ela  te conte o que ouviu secretamente de alguma outra amiga com mais de 30 bonitona, (essas informações vão passando assim nos cochichos, vêm das bocas das mulheres que te amam, porque as outras que querem competir com você não te contarão de jeito nenhum!). Mas eu vou contar aqui em voz alta mesmo, é isso: uma boa camada de bepantol no rosto à noite é melhor do que qualquer creme ultra-mega-super-caro-moderno-tecnológico para deixar a pele lisinha, macia e prevenir rugas. Nem iria muito longe com isso, mas também fazer uma mistura de bepantol, hipoglos, vitamina D e óleo de amêndoas é o melhor creme que existe para estrias e para o rosto também! Emplaste toda noite! Chega né, tem muitos vídeos no youtube falando sobre isso. Mas esse é um aprendizado meu. 

3. Juventude eterna

Já que estou falando de preservar o coro, e de fazer perdurar mais um pouco a tão endeusada juventude. Esse número 3 continua sendo nesse tópico, o que aprendi depois dos 30 que me deixa, ou pelo menos me faz sentir, muito jovem ainda.

Observação: Me sinto mais jovem aos 32 do que aos 25. Verdade!

Observação 2: Acho que vou ter 18 anos mesmo quando tiver 81.

O segredo é esse: café, água, cama (para dormir e outras cosias), vinho, criatividade, e curiosidade

Todo dia muito café, água, cama é bom, mas nem sempre dá para ter em excesso, infelizmente, vinho toda noite (uma taça, se conseguir não se estender - não é muito o meu caso) e poemas todos os dias (porque essa é minha forma principal de criatividade).  Depois que eu comecei a desenvolver mais meu lado ‘poeta’ muitos valores na vida mudaram, meu termômetro de importâncias se inverteu, hoje presto mais atenção nas palavras do que nas fofocas, nas janelas abertas do que nas armadilhas, em como as cores estão hoje se misturando na paisagem e como isso faz sentido para expressar um sentimento. Coloquei os óculos de ver metáforas e não tirei mais. Enquanto leio ou escuto as pessoas, presto atenção em tantas coisa: nas palavras, na música, no momento, nos olhos (se brilham ou não). Sem querer querendo percebi que não é qualquer conteúdo que me invade. Mas o que me interessa e instiga a curiosidade entra permanentemente. E ai vai o número 4.

4. Mais vale uma fresta para a intuição do que portas escancaras para os conselhos

Isso já é até uma reação meio irracional minha, inconscientemente depois dos 30 comecei a bloquear certos conteúdos. Finalmente! To virando membrana semipermeável! Aqui só entra o que faz sentido. Fiquei surda para conselhos, nem vou perder tempo explicando o porquê, fiquei cega para irritações, fiquei sem tempo para encontros sem sentido.  E também fiquei sem força para tentar ajudar e dar as mãos para quem vive gritando por socorro, dizendo que se encontra na beira de um precipício, mas que ao mesmo tempo que grita faz dele seu mote de vida. Não arrisco minha vida assim não! Prefiro me calar e tentar fazer conexões mais intuitivas, até hoje as intuições me indicaram caminhos mais verdadeiros do que os conselhos.

5. A vida é muito curta para...

5.1. A vida é muito curta para deixar de comer açúcar

5.2. A vida é muito curta para deixar de comer pão

5.3. A vida é muito curta para dizer ‘dessa água nunca beberei’

5.4. A vida é muito curta para fazer decisões permanentes

5.5. A vida é muito curta para ter tanta pressa

5.6. A vida é muito curta para ser tão importante

5.7. A vida é muito curta para ser tão pequena (Manoel de Barros disse isso, acho)

E por ai vai...

 6. Expressão de amor só pode ser boa coisa

Assim como um conselho vindo do meu melhor amigo pode ser uma merda, eu acredito que um gesto de carinho ou amor vindo de quem seja, às vezes até de um cachorrinho de rua, só pode ser coisa boa. A membrana semipermeável agindo outra vez, nesse caso, deixando a boa energia entrar.

7. A culpa geralmente não serve para nada

Percebi que tanta coisa pode nos fazer sentir culpados no mundo. Se trabalhamos muito, nos sentimos culpados porque não temos tempo para as pessoas que amamos e para o que gostamos de fazer, se trabalhamos pouco e temos tempo para o que amamos, nos sentimos culpados por não estarmos trabalhando muito. Se fazemos coisas demais nos sentimentos culpados, se sentimos demais nos sentimos culpados, se amamos demais, se vivemos demais... E o contrário também é verdadeiro! Se nos fechamos muito, se agimos pouco, se ficamos calados na maioria das vezes, se nos reservarmos demais tentando não pecar, no fim da vida (ou do mês) também nos sentiremos culpados! Então essa é outra coisa para a qual sou um tanto cega e surda: a culpa. Não é pela culpa que meço meus valores e os de ninguém. E já não perco tanto tempo me culpando. Hoje prefiro dizer 'a culpa é das estrelas.' rs

8. Maturidade é saber onde derramar a intensidade

Acho que é mais ou menos assim: coloquei um olho mágico na minha porta e quando surge alguma presença querendo entrar, eu dou uma bela espiada antes de abri-la, eu desconfio, tento distinguir entre reais presenças e sombras, entre quem quer entrar para participar e partilhar da festa e quem ta batendo à porta só para assaltar a geladeira. Ah! E tem também os que tocam apenas pelo malandro vício de tocar a campainha e sair correndo.  Então eu uso o olho mágico. Se encontro sorrisos, abro. Bem-vind@! P.s. deve valer pra redes sociais também. 

9. O medo da solidão insiste

Como eu já estou ficando sem ideia porque falei muito nos outros itens e isso aqui está parecendo demais um livro de autoajuda, vou falar também o que desaprendi ou o que me surgiu como medinho depois dos trinta. Medo da solidão. Sempre tive medo de ficar totalmente sozinha na vida, esse medo continua. Hoje tenho amigos, família, e também tenho livros e palavras e isso tudo enche muito a vida. Deve ser por isso o medo, minha vida é tão cheia que tenho medo que ela fique vazia, se eu acordar um dia e ver que o amor morreu, que a inspiração acabou, que o sentimento envelheceu... Melhor nem pensar...

 10. Grandes rupturas só valem a pena se forem em nome de uma felicidade maior

Só empreendo um grande sofrimento se for para ter uma grande libertação.

Talvez esse sentimento seja um caminhar oposto ao que eu venho tentando desempenhar na minha vida, que é o desapego, talvez seja comodismo mesmo, ou uma forma de me deixar solta, deixar a vida me levar, como se houvesse mesmo um Deus que eu pudesse deitar nas mãos e falar, ‘faça ai um pouco o trabalho que eu to cansada de tomar as decisões!’. Eu fecho os olhos e ele me carrega.

O fato é que eu não tenho mais energia para testar todas as ideias lindas e malucas que surgem na minha cabeça. Até os 30 eu sentia que tempo não era um problema, eu podia desenvolver teses, antíteses e tirar conclusões, eu podia desempenhar minhas ideias, mudar de vida, começar do zero mesmo sem analisar nada, se tudo desse errado, eu teria tempo e energia suficientes para voltar ao ponto de partida de novo. Ainda acredito nisso, em somar esforços para mudar coisas que não estão boas na vida. Mas eu sinto que hoje em dia eu só troco o meu ‘segura na mão de Deus e vai’ quando vejo que no meio desse meu comodismo apareceu um diamante raro. Eu só troco minha casa de madeira se tiver a certeza da casa de tijolos, com contrato assinado e tudo, porque eu já to cansada de me ver sem tijolos, madeiras e ter que começar a juntar de novo meus raminhos de palha.

 Ufa! É isso! Escrevi demais, como sempre..

Ah! Só uma coisinha, peguei o gosto dos marqueteiros de conteúdo e agora pretendo escrever toda semana um texto listinha das 10 coisas na minha versão. Esse é só o primeiro. Mas deixe seu email aqui na minha newsletter ( ---->) que o segundo ta chegando semana que vem na sua caixa de entrada!

Obrigada! beijos