O novo livro ta chegando!!

Estou em processo de gestação! Trabalhando insistentemente no meu segundo livro! E hoje quero aqui apresentar a protagonista dessa nova história, na verdade essa personagem tão importante não terá nenhuma fala nesse livro, e talvez justamente por isso, eu resolvi abrir espaço para ela hoje! Venha conhecê-la:

"Sempre no mesmo lugar ela percorre mundos.
Antes do dia acordar, ela nunca sabe se será refeitório de passarinhos comedores de migalhas, cemitério de copos de plástico com líquidos multicoloridos de um ontem que não terminou ou superfície fria desinfetada a água sanitária de quinta. 
Ela nunca sabe se vai dormir ou ter insônia. De que cor será sua pele, que perfume fechará sua madrugada e se será desprezada ou essencial. É fato que ela é sempre a protagonista, apesar de nunca ninguém saber disso. 
Mas ela vê mundos sem sair do lugar.
Recolhe folhas que caem das árvores, às vezes verdes, às vezes secas, às vezes tem a sorte de ser visitada por sementes, borboletas, e pétalas de flor. Está sempre aberta para o que o vento trás e para o que o mundo quer. É uma lousa em branco onde destinos se escrevem (e inscrevem), às vezes a caneta, às vezes a faca, às vezes a lápis de cor, às vezes a chave, às vezes a unhadas e cacos de vidro. Tiram-lhe lascas, deixam marcas, apagam cigarros em brasa, mas também lhe passam verniz antes que a desprezem de vez. E nunca a desprezam de vez, há sempre tempo para uma saideira, ou várias. 
Ela ampara dores e alegrias, vê amores começando e outros chegando ao fim, vê hormônios percorrendo corpos e é para-raio de fúrias incontroláveis. 
Ela vê personalidades sendo geradas e outras morrendo. Vê pessoas ficando doces e outras amargas. Vê mascaras caindo, vê almas se abrindo, vê corpos cansados tentando relaxar um pouco da luta diária.
Ela ampara o pensamento da puta e a empada da santa. Ela é palco. É capa de chuva e guarda-sol nas noites de quarenta graus. Guarda livros de poemas, notas musicais, contratos de alugueis, bilhetes de loteria, cheques sem fundo, segredos em guardanapos de papel.
Ela serve petiscos, refeições, porções de amendoim, carne de pastel de anteontem. Esconde chiclete mastigado e caca de nariz. Apoia cerveja, pingado, guaraná, cachaça, rum e cocô de passarinho. Ela toma banho de chuva, de álcool, de lágrimas, de sangue, de vômito e de ketchup. 
Ela já viu o mundo de cabeça para baixo e já virou escudo. Também já tomou tiro e cusparada. 
Já validou acordos de paz, planos mirabolantes, ideias de suicídio.
Ela sela amizades, cura depressão, dá sentido às vidas, consola mentes inquietas, conhece muitas fofocas, lava roupas sujas, sabe segredos que psiquiatra nenhum conseguiu ouvir. Cura traição, dor de cotovelo, mágoas antigas, amizades em risco, amores proibidos, problemas sem solução, doenças mortais, tristezas inconsoláveis. 
Ela participa das risadas sem fim, das conversas psicodélicas, das falas sem sentido, dos monólogos em grupo, das celebrações, dos filosofismos, dos existencialismo intuitivos, dos intermináveis motivos para um brinde.
Ela trata igual a bunda do morador de rua e a do homem de negócios.
Ela cheira a pão fresquinho, fumo, maionese velha, pano mal lavado, sabão em pó, livro novo. Ela viaja as almas humanas. 
Ela. A Mesa de Bar."