Onde está a moça posando para a foto enquanto esquece de fechar os olhos e sentir nas costas aquela água sagrada da queda da cachoeira?
Onde fica a inteireza do homem sentado à mesa de família perdendo os minutos respondendo mensagens de negócios no exato momento em que chegam?
Onde se perderam os olhares de mundo daquela mulher falando, teclando e andando apressada, esquecendo de sentir o silêncio do parque e o canto dos pássaros?
Onde estão as partes fragmentadas da criança que abandonou a corda, a pipa, e os próprios pés e descobriu todas as brincadeiras dentro de um pequeno quadrado?
Onde foram morar os cheiros, os gostos, as lembranças, os medos, os sustos e os arrepios?
Que caixinha é essa que enquadra a vida, emoldura os sentidos? Matrix, massinha de modelar de umbigos.
A vida foi morar numa tela, numa cela, num buraco de ego, numa realidade paralela que parece ampla mas é restrita.
Nesse quadrado onde tudo é imediato, instantâneo, inadiável. Tudo cativa, encanta e escraviza.
Realidade que suga corpo e alma se você não tiver a coragem e o amor pela vida de ser maior que ele.

Um minuto de silêncio para a realidade offline.