Não me interessam as relações cheias de dedos, o cuidado, o conformismo. O ir seguindo. As conversas furadas que enchem os corações de vazios. A fachada cansada e a vida sendo empurrada com a barriga. O coração em estado de despertador que não perde a constância do ritmo.

Não me interessa salvaguardar meus sentidos. A superioridade da indiferença, a falta de revolta ao que está diante do nariz de todos.

Não me interessa a mediocridade afetiva. Não quero deixar que o tempo esconda as dores. Não quero esconder minhas feridas por medo dos outros notarem minhas quedas e me julgarem fraca. Não quero esconder a minha empolgação ao reconhecer de primeiro olhar um amor de longa data. Não me interessa beber apenas duas taças de vinho para manter a pose e evitar a ressaca. Não me interessam as doses homeopáticas de emoções. Essa vontade de autoproteção que nos faz engolir o que é explosão e ficar fortes e inflados de nada.

Não quero me perder dentro de mim porque talvez assim eu seja mais aceitável.

Quem se assusta com o que em mim é pleno é pequeno demais para fazer parte do meu curto circuito.

Quero usar a mim mesma até o osso, gastar minhas sete vidas no teatro desta minha única chance de existência.