eu não ando só

Eu não ando só,
vou eu e um caminhão existencial.
ando carregada, munida de filosofemas
que floresceram em meus passos.
Eu me (e)levo comigo.

Eu não ando vazia,
vou cheia, pingando, me despejando,
oceanos em riachos.
Dou fácil acesso se for o caso,
entrego minhas dores e alegrias.
Tudinho num instante.
Sou um inteiro transbordante,
transcendendo-se.

Não ando limpinha, sem rastros.
Há nuvens de todas as cores e formatos.
Armazeno experiências em forma de vapor,
para que caibam mais,
para que me chovam
em dias de mormaço. 

Eu não ando só.
Tudo que foi possível me entrou
e tudo o que entra sai
de um jeito ou de outro
da mesma forma
ou transfigurado.