país das delicadelezas

ele me ensinou
que poema pequeno
é melhor escrever à mão
e cerveja boa
é melhor beber em canecão

me mostrou
as belezas sem gritos
a folha branca
com traços finos
o sorriso morno
no antigo porta-retrato

ele guardou
as folhas de árvore do outono de 1992
numa engenhoca de madeira
e na parede lisa
pendurou apenas aquele
mesmo poema

e naquela cafeteria dos livros
me trouxeram uma fatia de torta
com um guardanapo florido
só pelo bem da delicadeza