Acima de tudo há o desejo de expressão
que é maior do que qualquer tipo de cuidado ou medo.
Acima de tudo e independente de qualquer reação
eu quero me derramar em gestos e palavras,
sem receio de ter jogado errado
e não ter tido a esperteza de destrancar seus segredos
que agora, talvez, poderiam estar morando nas palmas das minhas mãos.
Antes de tudo eu vou derramar em você, no mundo, no vento
o que há em mim. Só para exercitar o sentir.
Depois talvez eu saia da estória e feche as cortinas deste palco, eu recolha cada grão de confete do chão. 
Mas não antes de me esparramar. 
Existe em mim o gosto de explorar a minha própria imensidão.
E deve existir também alguma velha fé de encontrar por aí portas abertas para carnavais de almas. 
Seria muito bom não ter que desfazer-me da fantasia da minha pele por algum período longo de tempo.
E por isso por aí sigo apertando campainhas e espalhando poesia.