O poema quebrou o amor, com dedos legistas dissecou. O poema pisoteou a verdade das rosas. Te espelhou outro nas paredes do meu coração e nu nas pupilas dos meus olhos. O poema arreganhado te encontrou nas minhas fraquezas e entranhas. Abriu minhas portas e te deu licença para sair correndo de medo. O poema quis ser poema acima de mim. O poema, meu estabanado deus, destruiu em cacos as ilusões que o mundo poderia querer. Minhas mãos carmicas estampam cortes. Chorosa, peço bocas que me beijem as palmas, chegam perto olhares curiosos, mas só até onde não se perdem de vista. E dali de longe se encantam. Alucinados numa ilusão de ótica. O poema é uma solidão sem volta.