Enquanto a gente ensaia

Não posso mais esperar
O jantar,
A poeira assentar,
O peito afrouxar
A verdade se esconder nos edredons e nas xícaras de chá
morno

Não posso mais contar
com o fim de semana
que chega e passa
com o fim do choro
e a estiagem do sorriso
com o ombro amigo
que já não tem mais ouvido

Não posso mais aguardar
as férias, os filhos, o futuro, o dinheiro, a felicidade
a comodista ilusão de realidade

Não posso mais me apegar
à compaixão
ao amor que nos mata
à covardia
dos corpos cansados

Não posso mais esperar
a vida
que passa
enquanto a gente
ensaia
o mergulho