Não sei o que a vida quer de mim

Não sei o que a vida quer de mim, não sei sentir a minha missão maior. Mas sei adivinhar-me num dia, sei o que cabe e não cabe nas minhas horas, no meu coração. Sei sujar o corpo e lavar a alma. 
Não sei o que a vida quer de mim, mas testo-a em minha pele, me abro para seus experimentos, me deixo ser cobaia dos ventos. E por isso sinto dores e alegrias, por isso encontro e perco pedaços de mim. 
Não sei o que a vida quer de mim, mas me doo em sacrifício, sou oferenda para o desconhecido, me entrego de bandeja para as mãos do tempo. Se quiser, me tire o sangue, se quiser me cubra de glórias. Me molde e me depene. 
Porque mesmo sem saber o que ela quer de mim, eu vou andando como quem já sabe que muitos dos meus passos serão incertos. Eu vou andando como quem já sabe cair, como quem já se acostumou com o recuo e com a imprevisibilidade dos rumos. Vou andando como quem já percebeu que as minhas crenças, a minha convicção e a minha força para alterar os cenários não são nada dentro do movimento do universo.
Não sei o que a vida quer de mim, para viver não preciso saber, para viver só preciso de coragem, paixão e humildade.