A olho nu

macerar a vida nas mãos
muito além da superfície
entrar com gosto, com todos os sentidos, nos labirintos das so(m)bras
amar muito além da pele e das palavras da boca
amar os olhos e os seus desvios
amar o grito - vomito de vazios
amar os ossos, as vísceras, os rios
amar em mim e no outro o que fede, onde sangra, o que se esconde amedrontado atrás das pernas fechadas do ego
amar cirurgicamente, cavando, curando, mexendo
que a vida, me parece, não é para os fracos de estômago