benzedeira

Vou virar benzedeira
Quem quiser que venha, 
Chegue, entre, puxe uma cadeira
Diga suas mazelas
Eu faço minha reza, digo umas palavras, passo a mão na cabeça
Arranco o perigo e jogo pra debaixo da terra
E depois fico limpa, crua, quieta
Na minha casa, no meu templo, dentro de mim

Vou virar benzedeira
Que me procurem, eu já não procuro nada, nem procuro ser procurada
Mas quem quiser que venha, aqui todos podem entrar
Desde que não façam morada
e não exijam mais do que eu queira dar
Peguem um ramo de arruda, um incenso, uma vela, 
uma energia boa
Deixem lágrimas e dores se quiserem
nas minhas mãos que fingem ser o universo
e partam

um pouquinho pra cada um, senão a luz se esgota, 
senão o leite seca.

Vou virar benzedeira
Vou ficar no meu canto, regando os meus canteiros
Não esperando ninguém, mas sempre de casa aberta
Daqui ninguém tira nada, mas sempre leva