ritos e rituais

Todos os dias eu faço meus ritos e meus rituais.
Não tenho calendário para registrar os aniversários, as datas de santos, os grandes eventos sociais.
Mas vejo e sinto que tem dia que é de sol, de nascimento, e eu me lavo, me enfeito, me acendo. Celebro mesmo sozinha a festa da colheita em mim. 
Tem dias de coração cheio, de sentimentos fartos, eu boto meu melhor vestido, eu visto meu maior sorriso, eu canto alto sem plateia pra assistir. Porque independente de tudo, a energia pulsa em mim e é para o universo que eu comemoro e é para a vida que eu rezo. E o meu rito é para valorizar os ciclos, que a vida sem expressão e símbolos vira anestesia e banalização.
Tem dia que é de chuva, eu me lavo. 
Tem dia que é de seca, eu me deixo. 
Tem dia que é de morte, eu me velo. 
Tem dia que é de estrada, eu me gasto.
Tem dia que cai fruta, eu me lambuzo.
Todos os dias eu faço meus ritos, eu tenho meus rituais. 
Acendo uma vela roxa, colho flores, fecho as janelas, escancaro o peito, choro longo, sorrio derramado. 
Quando o amor bate, me caso. 
Quando a morte chega, enterro. 
Quando renasço, me batizo nas águas recém-nascidas.