escrito em Budapeste

aqui

terra de matérias, de solos férteis, de sementes belas, de ervas daninhas.
coleto amostras, deixo rastros
tateio os solos, os minerais, as águas, os abraços
aprendo línguas de uma vasta cultura, participo das celebrações
ando, viajo, navego nos olhares, nas esquinas
subo na árvore genealógica de tantos galhos, e como o fruto proibido, como a manga rosa, sorrio cheia de sumos e fiapos.
gasto o couro, afino o tato, me desfaço, e refaço
canto, danço, brinco
até a escassez.

fico até encher as bagagens com mundos e antes que a revoltosa tempestade de areia cresça com o vento que se criou e anda se avolumado de rancor das coisas infindas e dos ladrões que partem levando as essências e as umidades, parto na ponta dos pés, despercebida. que fique apenas o abrasante gosto.



mexo no cenário. corro no meio da manifestação. contra o fluxo, a favor de um coração travesso. sujo as mãos na lama mais limpa do mundo. pinto corações com pigmentos coloridos. assopro purpurina nas faces cinzas. grito hinos de carnaval no finados. ninguém percebe, mas lá, há tantos motivos para comemorar.

... poderia dizer mais, mas não preciso...

lá eu vivo

aqui, escrevo