Superfície

Na superfície das coisas existe uma risada rasgada gritando solta para acobertar o nada.

Há falas ansiosas, viciadas, pintando os minutos todos para ocultar entendimentos antigos.

Na camada fina da pele que pede e ferve, frente ao medo de não se conter e não se contar, mata a sede antes de adentrar.

Fica tudo na crosta, nas encostas, na borda, na casca do sentir.

E a vida não para de pulsar em algum lugar.

Pena que ninguém para pra ouvir.

Passam afoitos pela ponte e não contemplam o riacho.