Não devo explicações sobre o que não sinto
seria como passar camadas de verniz na bosta. 
Não devo discursos, 
essas profundas conversas sobre o nada, 
tentativa de entender uma inação. 
Tudo que eu pudesse expressar
seria estafa, 
mãos se obrigando a passar batom em pedras subterrâneas, 
presas numa umidade secreta de terras silenciosas. 
A minha língua é morta, 
estuda-la não irá fazê-la entrar nas bocas. 
Política, poética, dialética, religiões culposas
não fazem sentido para defuntos. 
Massagens cardíacas? 
Não sei e se não sei não falo. 
Sou um tumulo. 
Sepultando todos os não ditos. 
Vele-me.