Venha me falar de flores
porque meu ouvido não é pinico
Não me despeje todas as suas dores
achando que mulher é terra de acolhida
Pode me contar uma piada boba
uma frase picante, um sussurro ao pé do ouvido
Pode chegar desprevenido
Mas não vomite todos os seus líquidos inflamados
nos meu buracos
Amar não é desarrear a alma num outro ser
Não é aliviar o estresse de macho
nas minhas vísceras
Não é entrar sem pedir licença, sem oferenda
nos meus templos sagrados
Não, aqui não entra
quem não vem para me falar de flores
e regar com amor
as sementes que carinhosamente
eu esparramo em meus vãos
Venha só se for para acender
as minhas primaveras
E então te cobrirei de glórias