Porres de flores

Ando tomando porres de flores
E requentando o chá das sobras
Criando galinhas sem cativeiro
Fazendo orações para as formigas
E derrubando com pedras
As colmeias dos deuses

Ando lendo Nietzsche com ternura
E Rimbaud com amor nos olhos
Ando pisando com gosto nos espinhos
E pintando pétalas com o sangue que jorra

Ando desenhando jogos da velha nas paixões
E construindo mandalas com os cacos
dos discos riscados
Ando escrevendo mantras bonitos
Com os dramas ultrapassados

Ando alcalinizando meu sangue
Numa dieta de silêncios sem volta
Ando doando para a campanha do agasalho
As experiências guardadas no armário

Ando numa irmandade imensa com os ciclos
E totalmente nua para as vontades da vida
Não procuro pontos de chegada ou partida
Mas aceito carona no que desperta e vibra