É verdade

É claro que tudo o que escrevo eu sinto, apesar de que nem tudo o que sinto escrevo e também sentir se prolonga até outras peles onde às vezes eu fico morando, tentando perceber por outro viés, inclusive sei morar na pele do imaginar. 
É claro que eu só falo a verdade e só escrevo o que vivo e acredito. A verdade de cada piscar de olhos de pensamentos, de cada batida do coração. A verdade fruto do embaralho de história, lembrança, sentimento e visão. 
É claro que tudo aqui e tudo em mim é genuíno, inclusive a paixão por brincar de inventar a vida. E na minha caixa de palavras, histórias e sentimentos, tudo o que reluz é ouro.
É verdade que a minha escrita é biográfica, mas é um biografismo ontológico e o meu álbum de fotografias muda conforme a luz do dia, o ponto de referência e a direção do vento. 
É claro que eu falo de fatos, e só me interessa o registro das substâncias que ficam, daquilo que é eterno justamente porque muda a cada nova percepção.

Cabeças fracas acreditam. Cabeças fortes participam da brincadeira.