Antes existia a descrença e tudo se consolava. Existia o conformismo, a sensação de segurança naquele modo de caminhar respeitando os dias. 
Antes existia a aceitação, a cabeça baixa, o cuidado em viver de modo a não despertar o sofrimento maior. Existia o cansaço e a vassalagem às leis de causa e consequência. E existia o comportamento, as pernas cruzadas, os ouvidos mais ativos que as falas, as mares contidas, a vontade de pertencer. Existiam faltas, uma amizade com o nada, uma religião sem deuses. O medo do invisível.
Mas um dia abri a janela e havia uma distração fora do compasso, a leveza do abandono, o gosto pela falta de entendimento, a beleza do caos. E agora só existe isso que voa e pousa, a força mais sutil do mundo chamada Amor. (...)