Poesia Resistência

Morre um poema no passo aflito
No corpo cansado, na cabeça tumultuada
Nos dias exprimidos, na expressão contida
Nas emoções engolidas no café da manhã
No amor deixado de lado
Morrem poemas nos smartphones
Que nos despertam a cada dois minutos
No zumbido das televisões
Nas chuvas de notícias sem sentido
Morrem poemas
Na intolerância política
Nos sorrisos dissimulados
Na falta de abraço
No cinza dos olhares
Nas obrigações dos laços
Morrem poemas na ausência de diálogo
Nas segundas intenções dos gestos
Nas prosas dos elevadores
No sapato apertado
No desconforto dos comportamentos
Morrem poemas nas repetitivas danças das cidades
Na hierarquização dos corações
Nas camadas de gelo das relações
Morre um poema no sexo fast food
Nos amores líquidos
No estresse do trânsito
Nos 15 minutos de almoço
Nas histórias dos jornais
Morrem poemas nas importâncias no mundo