Uma vez morri de velhice, foi leve, como um último suspiro de alívio. Fui, sem hesitar, de corpo e alma para outro mundo. Até me esqueci de dizer adeus.
Outra vez morri de repente, de um fácil tropeço que furou minha bolha de ilusão. Num segundo eu vivia e no outro, puft, nada em mim havia. Tão rápido e idiota, que aquela vida me pareceu ser apenas uma ilusão de ótica. 
Uma vez morri sofrendo, implorando para que não. Morte em conta gotas, nuns dias eu sentia fortes sopros de vida, noutros dias a morte me rondava e nesse jogo de esquenta e esfria, morri quando cansei dessa luta. 
Uma vez morri de suicídio, como quem quer arrancar o mal pela raiz e de uma única vez. Era tentativa de evitar o sofrimento, era uma vontade grande de não querer perder tempo remoendo as lembranças e as saudades de um amor que não vingou. 
Uma vez morri muito jovem, no auge das emoções. Como um pássaro voando de olhos fechados em pleno êxtase e bum, um tiro me toma o peito. É amargo o sangue na boca bem na hora da epifania.