Grupo anônimo

Há um grupo anônimo

fazendo reuniões secretas

no meu inconsciente

Trabalhando para preservar um segredo

que eu abandonei faz tempo

Como eu sei?

Suspeito.

Nos sonhos vejo um sinal de fumaça,

Que ignoro, mas fica um rastro

Esse desconhecido familiar

Quando arrisco me encarar no espelho

Escuto um sopro

Uma lágrima antiga

Que não ousa mais rolar

Fica sempre essa farpa centenária

No meu calcanhar

Eu me esqueço, me acostumo

Mas lá está

Para me lembrar de algo

De quê?

De uma saudade?

De uma melancolia?

Não, não é isso.

Eu já sei bem enterrar os mortos

Mas desta vez enterrei um vivo

Desta vez, eu não entendo

E não arranjar um entendimento

Para as coisas

É uma indigestão

Me sinto uma criminosa

(de um crime sem testemunhas)

eu vivo, eu deixo, eu não penso

Eu já não me lembro

Mas também nunca me esqueço