O amor não se alimenta de vento

O amor não se alimenta de vento
Não é autossuficiente
Não tem muitas reservas
Não continua crescendo por muito tempo
Sozinho

Meu amor não sobrevive solto no ar
Sem peito para pousar
Sem mãos para amparar
Sem presença para alimentar
A chama

Só com esperanças,
O amor vai magro, bambo
Vai arrumando o próprio
Leito de morte

Não resiste à longas estiagens
da distância
Respira até queimar o último fósforo
de fantasia
E o último sopro
de lembrança

E a saudade é como fome
Se muito grande, 
mata o amor de inanição

Morre em paz
volte para a terra dos que nasceram
para morrer