Alguns, ao me percorrerem
olham para os próprios pés
que tocam uma areia fina e seca
e sendo sábios de primeiro olhar
julgam-me desértica

Outros, um pouco mais ousados,
percorrem mais além em minhas redondezas
e encontram o início de minhas águas
Afoitos, se jogam de peito aberto
na fúria de minhas primeiras ondas
e morrem na praia

Outros ainda, estudados engenheiros,
analisam e desenham uma estrutura de acesso
Mapeiam os rios que desaguam em meus oceanos
Constroem resistentes canoas e partem no (des)conhecido
E no meio do caminho
naufragam

Pois são atingidos por uma força vertical
um denso e aberto dilúvio
que cai dos céus como graça
e que chega inundando e fundindo
a natureza das águas doces e salgadas
sem medos, sem leis, sem razão
chega e fica
mesmo quando cessa