A casa dela é quase despovoada de objetos
As paredes nuas, as janelas descortinadas, 
o chão cru, as portas abertas
Há um relógio velho em cima de um criado mudo
Mas ele já morreu faz tempo
Há poucas coisas e cores pelo caminho
Ela acredita que respira melhor assim, com a casa desenfeitada
Ela acredita que flui melhor assim
Sentindo os raios de sol que entram de manhã
E a acariciam o rosto, despertando-a para um café fresco
Olhando para o rosa-alaranjado do céu que encerra mais um dia
Olhando para a sutileza de um vaso de violeta
E para a tenacidade de dois cactos na estante
Sentindo um gatinho amarelo dormindo o dia todo aos seus pés
O lar é um desafogar dos ritmos e dos barulhos da vida urbana
O lar é como uma tela em branco
pronta para receber novas poesia e ideias
Essa moça é movida à energia solar
E gosta mais de se inspirar pelo movimento da aquarela do céu
Do que pela disposição da mobília
No vazio desse templo ela se conecta
com o que realmente importa