Teve medo que eu o tirasse a paz

Teve medo que eu o roubasse a paz
Essa paz cultivada nas tumbas cotidianas

Teve medo que eu quisesse mais
Mais do que ele sabia extrair da vida

Teve medo do desconhecido
E por isso o nomeou monstro
E deu peso e forma e sentidos

Teve medo que eu o tirasse o chão
Nessa conotação negativa
De quem acredita que sem chão
Há grandes quedas e não grandes voos

Teve medo que eu o tirasse a paz
Justamente a ‘PAZ’!
Corrompeu uma das minhas palavras favoritas
Eu poderia, talvez, o tirar o mundo,
Mas a paz, a paz eu não ousaria

Teve medo que eu o tirasse a paz
E era justamente a paz
O que eu tanto queria 
ser