Minha religião é o vento

Eu nada peço, e também nada ofereço
Apenas abro espaços para que nasça, 
venha, cresça, seja

Não peço nada, não tiro nada, nada espero
Nada além do que cai de graça 
no meu quintal

Minha religião é o vento, a chuva, o sol
É o ciclo dos acasos
Só espero dos céus
O que eles têm para ofertar hoje

Não rezo pedindo graças aos deuses
Não espero nada
Além do que vejo na moldura
De minha janela escancarada

Eu nada peço, eu nada impeço, eu nada imponho
Quero a fruta orgânica
Pronta para cair na minha mão
Quero o beijo morno 
Nos lábios prontos
Quero os olhos abertos
De quem se deixa invadir sem medos

Não exijo, não agendo, não espero
Mas sei devorar quando a coisa pousa
Sei sorrir quando gotas de chuva
Inesperadamente me contemplam os olhos
Sei ser flor na primavera
Quando visitas voadoras 
me atravessam