Sem desperdício

Foram até

acabarem os sorrisos

doloridos de tanto ser

até secarem os beijos

na branda estiagem pós transbordar

e esgotarem os elogios

e as saudades

de tanto consumirem-se

até apagarem as luzes

uma por uma

e limparem os pratos

e as vontades

na pele um do outro

desmatarem os corpos

e os sonhos

povoando-os

e ficaram para a sobremesa

e sobrecama e sobrechão

e tragaram o café

até queimar os dedos

e lamberam-os

e devoraram-se

até fecharem os olhos

exaustos

redondos

satisfeitos

silenciosos

empapuçados

de viver