Instruções para lavar a alma

Lavar a alma à mão
Que é de estrutura muito delicada
E assim, manchada de tantas palavras
Requer um cuidado redobrado
Para voltar a ser quietude

Secar a alma em solidão
Estender na linha do tempo
Do próprio quintal
Na parte que bate 
um sol coado, sereno
e faz pendurar as pálpebras
no sono dos que sabem esquecer

Passar a alma a limpo
Cortando os preciosismos
Os excessos prolixos
O peso dos desnecessários
Acessórios

Vestir a alma nua
Na sua mais nova pele
Nos olhos um brilho tranquilo
E uma vontade recém nascida
De ir brincar na rua