Quiseram entender para preservar aquela magia inesperada que fazia arrepiar a boca do estômago. Quiseram dar nome para aquilo que os fazia acordar e admirar o mundo, nascer de novo. Quiseram estudar a estrutura do sem forma e assim lapidaram, sem querer, cortaram os excessos do que também era beleza. Querendo moldar a rudeza do diamante para que brilhasse mais, valesse mais, ficasse mais perfeito, sem querer, cortaram uma asa, sem querer, cegaram um olho. Quiseram dissecar a delicadeza pensando que podiam entendê-la profundamente e isso seria a salvação. Quiseram falar e planejar e construir e exigir, quiseram mais um do outro e deram-se mais nomes e funções e se conheceram por certezas e por éticas do avesso, fizeram um carnaval, trocando as fantasias, tentando evitar o inevitável. E ficam insatisfeitos com aquele excesso de fome inventada e impossível de ser saciada pela boca do outro. E se desconheceram. E perderam aquela magia inesperada que fazia arrepiar a boca do estômago.