Malandragens do vento

Não quero escolher nada
Não gosto de pôr nada na balança
O que pesa é mais valioso do que o que flutua?
O sol é mais importante do que a lua?
Como encontrar verdades
Entre prós e contras?
Se tudo precisa de seu contrário para existir
Se tudo é bonito porque também é feio
Se eu gosto de bossa nova e reggae
De pimenta e mel
Se meu coração tem dois ventrículos 
Um que me alimenta e outro que me salva
Como tomar partido?
Nesses lados 
Que para mim não são inimigos
Se complementam!
Não quero escolher nada!
Que escolher é antiamor!
Que escolher pede renuncia
Que escolher é dor
É abandono, é predileção, 
E ao mesmo tempo exclusão
Escolher é que cria o conflito
Não sei escolher nada
Eu gosto de ter olhos
Que se enamoram 
por dias e madrugadas
Não quero escolher nada
Que o mundo não tem escolhas
É tudo mentira!
O livre arbítrio 
Não faz sentido
Para o coração
Ele anda como o tempo
Tempestuando as calmas primaveras
Sem avisar
Chega e pronto
40 graus no inverno
quem prevê? 
quem comanda?
quem impede?
inundando e secando
bagunçando e acalmando
partindo e chegando
Não quero escolher nada!
Vou me deixar ser guiada
Pelas malandragens do vento