Ritual

O guerreiro pinta o rosto. Pinta o peito de vermelho. Veste as penas no braço direito. Desarmado de roupas, ativando ornamentadas flechas, com o olhar de águia e o coração aceso, parte no íntimo do desconhecido, rumo ao desnorte, entregue à própria sorte.

É dia de festa. O bravo guerreiro desbrava os mistérios da mata. Amazônica. Perde-se na imensidão dos picos, vales e florestas. Bebe de açudes desconhecidos. Arma flechas, e as dispara tentando atingir a lua. Mas no meio do caminho há um coração de mulher. Ofegante e vivo, o guerreiro salta no último abismo do caminho, movido por uma energia divina, morre para encontrar as estrelas. Existe um êxtase transcendente no último suspiro. O elixir da vida. Só quem já morreu num ritual conhece.