Dopada de paliativos

O seu nome na minha boca virou tosse

Das madrugadas onde você desaguava

Vedei com algodão todas as entradas

Como quem barra o sangue

Saindo do corpo morto

Como quem barra o que ainda corre quente

No que já não vive

Nessas noites de olhos que não se entregam

Primeiro aprendi a contar lobos

Comedores de ovelhinhas que pulam cercas

E depois aprendi a contar machados

Que destroem lobos e ovelhas e cercas

E cenários

E marcam cruzes

Nas memórias zumbis

Querendo impor cicatrizes

Nesse estado de coma

O seu nome na minha boca virou tosse

Estou rouca e semi-engasgada

nesses estranho estado 

em que você não é razão de palavras derramadas em vida

e nem de cálidos silêncios de morte aliviando a irritação das cordas vocais

só me resta aguardar o dito final,

dopada de paliativos