Pós-abstinência

Depois das sedes oceânicas

E dos beijos ressequidos

E dos líquidos todos extintos

Extraídos com doloridas

seringas descartáveis

que arrancam belezas

para jogar no lixo

Depois do amargo

Das fezes de bactérias

Devoradoras do que havia

Sobrado de doce na língua

Depois dos cacos

De vidro saírem

Das veias

E voltarem a formar

O quebra-cabeças

De uma face

Semiviva

De uma deusa pálida

Sobra o que pode

ser eterno

e oco:

nada

 

Preferiria ter morrido drogada