A esperança nasceu no cais

A esperança nasceu no cais.

Se plantou como rocha, paciente à passagem do tempo e às mudanças da estação. Firme e quieta, mas de coração vivo e pensamento longe, resgatando em outras épocas ou em sonhos a Beleza. Perdendo os olhos no horizonte à espera daquela velha proa, que venha por este velho caminho, cruze essas águas que nunca são as mesmas e a resgate e desencante de sua situação de pedra.

A esperança é um bonito mineral, como o amor que para não evaporar, se cristaliza em si mesmo. Não vive e não morre. Mas permanece. Como a maldição de tudo que quer ser eterno.

A esperança nasceu no cais.

E nele também pode morrer, como rocha estilhaçada pelo tempo ou como água, afogada nos braços do reencontro.