Querem roubar minha pobreza

Querem roubar a minha pobreza!
Querem entender a graça do amar de graça
Mas não querem tirar os sapatos
Querem saltar do fundo do poço 
sem antes entender seu significado

Querem roubar minha pobreza!
E entender os meus caminhos 
Porque mesmo maltrapilha eu brilho
Porque mesmo na sarjeta eu canto
Querem me adotar 
Para depois me abandonar num canto

Querem que eu ensine como andar desnuda
Mas não querem fazer aula prática
De anatomia da alma

Querem que eu dê de mão beijada
Tudo o que me resta: nada