No compasso

hoje visto o salto

bato o ponto

desenformo o bolo

pego o ônibus

 o café morno

 olho o relógio de pulso

 e pulsa manso

 constante

 as veias em tic tac

 o coração compacto

 no compasso

vento assoviando

flautas doces

a febre cedeu

o vestido passado

o sono tumular

o sonho em preto e branco

o cabelo arrumado

as palavras de dicionário

as conversas sem nexo

a voz educada

civilizada e fria

da moça no telefone

para marcar uma consulta

de rotina

no consultório

do médico da família

o pensamento em prosa

os passos enfileirados

na cantina da esquina

o arroz feijão

das doze

em ponto

nem mole

nem duro

nem fundo

nem raso

nem claro

nem escuro

nem eu

nem você

só eu

e você