Lá fora o amor é orgânico. Nasce, cresce em solo despreparado. Deve ter uma história, deve ser semente que veio de longe voando na boca de um passarinho ou na garupa do vento. A gente desconhece as origens, não sabemos de que espécie, de que tribo. Ele chega, invade, sabe fazer morada em campos inóspitos. Inóspitos e despreparados. Deve ser selvagem. É forte, guerreiro. É cacto no deserto e no inverno, pinheiro. Deve ter sido criado de algum espasmo da terra. Deve ter sido gerado de alguma contração involuntária de um sonho íntimo e profundo. Onde as coisas se guiam sem guia. Quem somos nós para proibir ou ordenar ou controlar o destino desse amor? Substancial. Espontâneo. Que quase não precisa de nossos peitos para viver. Ele permanece e cresce. Teimoso e feio. No sim e no não. Enraíza até nas pedras.