Acima de tudo

me apego aos sonhos mais do que às pessoas

às lembranças mais do que ao esquecimento

ao amor mais do que ao medo de sofrer

ao amor mesmo que já não exista presença

me apego mais ao sentimento que ainda está

quando já ninguém mais existe

eu me apego mais à tristeza

branda, muda

de conviver com essa chama que não terá mais brasa para queimar

do que à amputação da dor

que leva junto a sensibilidade

me apego mais à melancolia

do que à necessidade 

de me fazer instrumento

para cumprir os dias

que precisam ser ganhos

acima de tudo