Um mar de olhos

Por eu ter te mostrado o  proibido você nao falou mais comigo de cinema. Não me deu beijos de café. Não inflou o peito e me contou como foi o dia. Por eu ter te mostrado o que eu busco, você não me mandou mais mensagens de madrugada. Não mais quis saber dos meus planos e se enfiar em alguma brecha deles como fazia antes. Aquele 'eu te amo' derramado, convencido e convensível, que segurou esse meu rosto descrente, que não foi como 'bom dia'. O 'eu te amo' que se repetia nos gestos, nos olhos corajosos a me mergulhar, agora não sei onde foi parar. Depois que teus olhos me invadiram cheios de 'eu te amo', depois de tantos nãos, eu cedi do único jeito que sei: nua. E ao me abrir, encontrei seus olhos por todo meu corpo. Acho que você não está acostumado a dizer 'eu te amo' com dois olhos e de repente ver nascerem deles um mar de olhos apaixonados. Acho que você quer amar semi nu, na penumbra. Acho que você quer amar sem ter que encontrar (e encarar) a si mesmo. Não tem problema, se você não quer mais falar de cinema, me beijar de café, estufar o peito ao falar do dia enfrentado. Se de alguma forma eu desarmei o seu teatro. E depois de ter cutucado o perigo com vara curta agora você já não sabe o que fazer com tantos olhos que refletem os seus. Não tem problem. Mas é uma pena.