Senha

há uma fresta 

(perversa)

na parede

desse 

aparente

intransponível 

castelo

de metal

 

há uma luz

travessa

que atravessa

até a fresta

desse

sensato

coração

 

há de haver

dias

de luz

brincando de

esconder

atrás da 

sombra

dessa

eterna

noite

 

olha

já que quiseste 

me espiar

eu te deixo

entrar

e te falo 

a senha

ela não é

feita de palavras

ela é um gesto

de afeto

então

abre as mãos

em cuia

e cuida 

(por favor)

um pouco

desse 

velho 

coração