Uma palhaça

Veio insistente e pegou minha mão como quem já conhecesse a estrada.

Suave e firme como um domador de almas

Com a ponta dos dedos, colocando carta por carta nos lugares certos,

maestro de fazer o tempo parar e de cultivar primaveras.

Escreveu no meu corpo o mapa do destino.

E me roubou as chaves das minhas frágeis portas

Eu que só queria a paz de não ser, só queria um canto no mundo.

Mas veio, imponente e certeiro, me lembrar dessa mulher que eu não conhecia

Coloriu o mundo de sentidos

E

ao final,

me deixou só

nesse circo armado

sem platéia

apenas

como

uma

palhaça