Queria morder teu sorriso - disse ele

Queria engolir teu sotaque - disse eu

e vestir teu cheiro de camarão frito

e ferver em tua pele de 50 graus

marejar no teu silêncio de enrolar cigarros de palha ao fim da tarde

quieto e manso como quem vive já sabendo que não haverá inverno

e a vida se acomprida ao ver os barquinhos balançando 

e sempre há um amigo pra sentar no boteco

e uma dose soltar o violão

e aquela paz de esquecer que o amor se acaba

e de saber sem querer saber

que é preciso sempre esquecer

para que haja amor e recomeços